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LÍDER NA PRODUÇÃO DE MAQUETES TEM NOVOS CONCORRENTES

O aquecimento do mercado imobiliário está movimentando as empresas que produzem maquetes. Na cidade de São Paulo, houve avanço de 52% nos lançamentos de empreendimentos residenciais e de 46% nas vendas no primeiro semestre de 2013 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo balanço do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

As construtoras e incorporadoras têm investido em maquetes para expor com maior transparência os seus projetos, uma vez que a comercialização dos imóveis é feita ainda na planta. "A preocupação é representar nos mínimos detalhes, de maneira muito fiel, o empreendimento que será entregue lá na frente. Isso faz com que o clientes se sintam mais seguros para realizar investimentos", afirma Fábio Fogassa, diretor da Adhemir Fogassa Maquetes. A companhia, líder do segmento no Brasil, registrou 50% de aumento na produção de maquetes nos seis primeiros meses do ano.

Após o boom imobiliário sem precedentes de 2006 a 2010 - com pausa no auge da crise do subprime nos Estados Unidos em 2008 -, o setor teve um ritmo menos acelerado de crescimento. Contudo, os consumidores tornaram-se mais exigentes, destaca Luiz Eduardo de Oliveira, sócio diretor do escritório MCAA, que historicamente já projetou mais de 10 milhões de metros quadrados de área entre edifícios residenciais, comerciais e hoteleiros. "Os consumidores comparam mais, visitam estandes de variadas construtoras, sabem exatamente o que procuram. As maquetes permitem que até os leigos consigam entender os projetos", ressalta.

O prestigiado arquiteto João Armentano, também atendido pela Adhemir Fogassa, diz que além de serem importantes instrumentos de venda, as maquetes auxiliam na etapa anterior, no processo de criação. "Não adianta representar o sonho em um pedaço de papel ou no computador. A partir da produção da maquete, eu consigo ver o volume, vou concretizando o sonho. Assim, fica mais fácil ajustar o meu próprio projeto, torná-lo mais equilibrado", diz Armentano.

Com 40 anos de atividades e faturamento anual em torno de R$ 25 milhões, a Adhemir Fogassa, com sede em São Paulo, ocupa um galpão de quase 5 mil metros quadrados e conta com uma equipe de mais de 150 maquetistas. Apesar do segmento de imóveis ser seu principal filão, a companhia tem feito maquetes industriais dos setores de mineração e petróleo, entre outros, assim como projetos urbanísticos.

A empresa se destaca ainda por diversos trabalhos como as maquetes dos estádios Novo Maracanã (RJ) e Arena das Dunas (Natal-RN) e a do projeto da candidatura da cidade do Rio de Janeiro à sede da Olimpíada de 2016. "O trabalho mais impressionante é o conjunto de sete maquetes de locais diferentes da Itália que fizemos para a Ferrari e que está exposto no autódromo de Abu Dhabi", diz Fogassa.

Nos últimos anos, a empresa vem agregando tecnologia aos seus processos e ao acabamento das maquetes. São quatro máquinas de corte a laser para preparar as estruturas de madeira ou acrílico e, mais recentemente, foi adquirida uma impressora 3D, no valor de R$ 400 mil para confecção de miniaturas que são usadas como brinquedos de playgrounds, móveis, carrinhos, pessoas etc.

De acordo com o diretor, cada vez mais as maquetes proporcionarão experiências interativas. Por exemplo, já é possível ligar miniaturas de TVs, acender as luzes do empreendimento e movimentar os carrinhos por controle remoto. "Vendemos maquetes de R$ 1 mil a R$ 5 milhões, tudo depende da tecnologia empregada, dos materiais, do custo da mão de obra especializada, todo o trabalho envolvido e o prazo para executar", afirma.

A Adhemir Fogassa absorve de 70% a 90% das encomendas de maquetes no país, entre estimativas próprias e dos concorrentes. Contudo, nos últimos anos, a concorrência vem crescendo e é constituída por pequenos e médios negócios. A Mega Maquetes, no bairro da Vila Sônia, em São Paulo, começou as atividades em e 2011. "Vimos uma ótima oportunidade", afirma o sócio Luis Felipe Duarte.

Formado em marketing e administração, ele nunca havia produzido maquetes, mas estudou o setor. "Nosso objetivo é investir em equipamentos de ponta e pessoas para fazer uma grande indústria", acrescenta. A empresa cresce e já fatura cerca de R$ 100 mil por mês, atendendo o Brasil todo. De acordo com Duarte, são produzidas, em média, oito maquetes por mês e a expectativa é positiva. "As construtoras estão nos conhecendo e solicitando orçamentos. Faço muita divulgação pela internet, mas a que mais tem dado resultado é a boca a boca", ressalta.

A equipe fixa é de 5 funcionários. A empresa já fez maquetes industriais para a Technip, parceira da Petrobras.

Em operação há seis anos, a Itaoka Maquetes, na Vila Gumercindo, em São Paulo, trabalha com uma média de oito maquetistas freelancers, contratados por projeto. Ithanderson Macedo Alves já desempenhava a função de maquetista antes de abrir a empresa. "O mercado não está tão aquecido como anos atrás, o que existe hoje é oportunidade para todos com uma gama muito grande de incorporadoras e construtoras", avalia. Para ele, o futuro será mais promissor no Norte e Nordeste, regiões onde ainda há terrenos disponíveis e elevada necessidade de imóveis para moradia e escritórios.

O arquiteto e maquetista Eduardo Fonseca, proprietário do Ateliê de Maquetes, em São Paulo, está há 20 anos no mercado. A empresa trabalha com maquetes de empreendimentos imobiliários, indústrias, de arenas esportivas e também na produção de miniaturas de máquinas e equipamentos. "Há maquetes baratas, de menos de R$ 1 mil, outras caríssimas. O preço não tem limite, é um trabalho artístico, como um quadro ou uma escultura", destaca.

O empresário não revela o faturamento. A empresa, de porte médio, mantém parcerias com maquetistas freelancers, pagos por hora, em diversas regiões do país. A maior demanda é por maquetes de empreendimentos residenciais no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e Estados do Nordeste. "É um negócio que exige alto nível de especialização."

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